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Merengue PDF Imprimir E-mail

O Merengue é uma dança folclórica dominicana que se difundiu mundialmente e que muitos consideram como a dança nacional da República dominicana.

Origem

As origens do Merengue são muito discutidas. Entre as opiniões diferentes sobre o tema encontramos:

1) Foi Alfonseca quem inventou o Merengue (Segundo Flérida de Nolasco).
2) Sua origem e aparição se perde nas brumas o passado (Julio Alberto Hernández).
3) Nasceu com caráter de melodia criola após a batalha de Talanquera onde triunfaram os dominicanos (Rafael Vidal).
4) Parece que o Merengue provem de uma música cubana chamada UPA, que passou por Porto Rico, de onde chegou a Santo Domingo em meados do século passado (Fradique Lizardo). Na realidade pouco se sabe de concreto sobre a origem do merengue. Em meados do século passado, de 1838 a 1849, uma dança chamada URPA ou UPA Habanera, passou pelo Caribe chegando a Porto Rico onde foi bem recebida. Esta dança tinha um movimento chamado merengue que ao que parece, é a forma que se escolheu para designar a dança e que chegou à República Dominicana, onde nem sequer foi mencionado nos primeiros anos.. Posteriormente foi bem recebido e até o coronel Alfonseca escreveu peças da nova música com títulos muito populares como "¡Ay, Coco!", "El sancocho", "El que no tiene dos pesos no baila", e "Huye Marcos Rojas que te coje la pelota".

O Merengue surgiu por volta de 1844 e já em 1850 tornou-se moda, desbancando a Tumba, até então o ritmo mais popular dominicano. Inicialmente teve muitos desafetos. No começo da década de 1850 começou a surgir nos jornais da capital dominicana, uma campanha em defesa da Tumba e contra o merengue que reagia ao auge que ia adquirindo o primeiro em detrimento da última.

A estrutura musical do merengue, na forma que se pode considerar mais representativa, constava de passeio, corpo ou merengue, e "jaleo". Toda a música se escreve em ritmo 2 x 4 e existiam discrepâncias quanto ao número de compassos que constituíam cada parte, pois se abusava às vezes ao alargá-las "ad infinitum".

As formas literárias que acompanham o merengue são as mais comuns dentro da música popular , com copla, seguidilla e décima, e algumas rimas.

Desde o começo o merengue era tocado com os instrumentos mais comuns e mais fáceis de se adquirir pelo povo, as bandurrias dominicanas, o "Tres", o "Cuatro" (instrumentos similares a um pequeno violão, porém com três ou quatro cordas). No final do século passado também o acordeón, de origem alemã, que pelo seu fácil manejo tomou o lugar bandurria. Por suas escassas possibilidades melódicas este instrumento limitou a música que interpretava e assim o merengue se conservou de certa forma desvirtuado com relação ao original.

Com esta variante o merengue se adentrou na sociedade dominicana, integrando-se por completo a certos setores sociais, desbancando imediatamente outras danças que como a Tumba, por exemplo, requeriam de seus executantes (dançarinos) um grande esforço mental e físico. Este último tinha pelo menos onze figuras diferentes. É fácil de imaginar por quê o merengue com sua coreografia reduzida a mais simples expressão pôde desbancar a todos os seus rivais e atrair o fervor do povo.

Dança

A coreografia do Merengue se reduz ao seguinte: O homem e a mulher entrelaçados se movimentam lateralmente no que se chama "passo da empalizada", logo podem dar voltas para a direita ou para a esquerda. Isto costitui o verdadeiro "Merengue de salão", no qual os pares não se separam jamais. Existe também o que se conhece com o nome de "merengue de figura" no qual os pares faziam muitas evoluções e adornos ou "floreios" como se chamava, porém sempre sem soltar-se.

O Merengue genuíno e autêntico só sobrevive hoje nas zonas rurais da República Dominicana. A forma tradicional do Merengue tem mudado com o passar dos anos. O passeio desapareceu. A estrutura musical (corpo) tem aumentado: ao invés de 8 a 12 compassos , às vezes temos desde 32 até 48. E o " jaleo" tem sofrido a influência de ritmos exóticos que o tem descaracterizado.

Resistência inicial e posterior aceitação
Apesar do seu auge entre as massas populaers, as classes mais altas durante muito tempo não aceitaram o Merengue por causa da sua vinculação com a música africana. Outra das causas que pesaram sobre o repudio e ataques contra o Merengue foram os as letras que o acompanhavam, geralmente picantes. Por exemplo:

Tó loj' cuero* son de Santiago
y en Santiago ello' viven bien
y por culpa de'sa maidita
santiaguero soy yo también


* Na Rep. Dominicana se chama cuero a uma mulher de pouca dignidade, prostituta, imoral.

Outras danças dominicanas de origem negra não foram atacadas por seu caráter de danças rituais. Seu próprio carater ritual fazia com que sua prática se restringisse a uns poucos lugares ou dias do ano, com um alcance ou difusão entre a poblação muito limitado. O merengue pelo contrário, por seu caráter de dança de regojizo se introduziu con mais facilidade nos lugares de festas gerais e por isto a reação contra si, apesar de muito forte , foi vencida pelo sabor de seu ritmo.

Em 1875 Ulises Francisco Espaillat iniciou uma campanha contra o Merengue que foi totalmente inútil, pois a dança já havia adentrado a região de Cibao onde se fez forte a tal ponto que se asocia hoje esta região ao cerne (cuna) do Merengue.

A princípio os músicos chamados "cultos" fizeram uma grande campanha para a introdução dessa dança nos salões. Os músicos populares se uniram a essa campanha que encontrava sempre resistência por conta da linguagrm vulgar das letras que acompanhavam o ritmo. Juan F. García, Juan Espínola y Julio Alberto Hernández, foram pioneiros nessa campanha. Seu êxito não foi imediato já que apesar de estabelecerem a forma musical do Merengue, não conseguiram com que penetrasse na "sociedade" .

O panorama mudou a partir de 1930, pois Rafael L. Trujillo na sua campanha eleitoral utilizou vários conjuntos de "Perico Ripiao" e ajudou a difundir o novo estilo a zonas onde não se conhecia previamente, ajundando-o muito nessa difusão o uso do rádio, recém chegado ao país, antes do início da ditadura.

Apesar desta grande difusão e propaganda não se aceitou totalmente o Merengue no que se chamava "la buena sociedad dominicana" até que numa família da "aristocracia" de Santiago, na ocasião de uma celebração de uma festa, solicitaram a Luis alberti, que ia se apresentar com sua orquesta, que compusesse um Merengue com "letras decentes", e este aceitou. Compôs para tal ocasião o "Compadre Pedro Juan", o qual não só agradou como causou furor, chegando a converter-se no hino dos Merengues. A partir desse momento o novo ritmo começou a disseminar-se o por todo o país. Para isto o radio prestou uma ajuda generosa.

Ao disseminar-se o merengue por todo o âmbito nacional, produziu, como toda manifestação cultural, variantes. Estas refletiam o manejo dos elementos culturais de acordo com a conveniência de alguns.

Como foram músicos chamados consagrados os que fixaram a forma musical do novo merengue, os músicos populares trataram de imitar e seguir este modelo enquanto que o homem do campo continuou tocando o merengue da mesma forma. Isto deu origem a duas formas de merengue bem diferentes entre si. O merengue folclórico autêntico que ainda se encontra, nos campos, e o Merengue de salão. Este último é o que mais se difundiu e que a grande maioria crê que é o folclórico.


Fonte: www.salsa.com.br


 

 

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